O dia 15 de outubro é a data em que se comemora, no Brasil, o Dia do Professor. Entretanto, os profissionais do ensino do nosso país, particularmente, da rede pública não têm nada a comemorar neste dia. Salários defasados, perda salarial, falta de plano de carreira que estimule o servidor, salas lotadas, falta de estrutura física e segurança nas escolas, tudo isso constitui a triste realidade do nosso sistema educacional.
Num país de tantos dissensos políticos e ideológicos, um consenso se estabeleceu entre os principais atores da vida nacional: se o Brasil almeja figurar no mundo civilizado e competir para igual com as economias avançadas, é essencial investir consistentemente em educação. O verbo aqui, não se conjuga apenas em seu imprescindível aspecto monetário, mas também no que se refere a uma nova visão do papel da escola, dos professores e dos alunos.
Algumas iniciativas vêm sendo adotadas desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre elas, destacam-se a implantação de provas anuais de avaliação do ensino médio e superior e as mudanças no vestibular, de forma que o acesso às universidades deixe de ser um campeonato de decoreba e passe a medir a capacidade de raciocínio e o nível intelectual dos jovens.
Todos esses avanços, no entanto, se deparam com antigas feridas que continuam a se alargar no ensino brasileiro, que se estendem desde a degradação das instalações físicas das escolas, falta de material didático, desvio da merenda escolar, e o baixo nível salarial dos professores. Aliado a tudo isso, temos ainda a indisciplina e a violência de alunos, no ambiente de escolar. Uma reportagem Especial da VEJA, mostra como muitos estudantes submetem os professores a toda sorte de agressões físicas e verbais. Deixando-os sem autoridade na sala de aula, sem coragem nem mesmo para pedir silêncio. Os professores sentem medo até de reprovar o aluno, por medo de uma retaliação. Nesse contexto de hostilidade torna-se difícil manter a disciplina e despertar a atenção dos estudantes – duas das condições básicas para uma boa aula.
O noticiário de hoje da TV Record, nos mostrou uma professora que se encontra afastada de suas atividades por grave depressão, depois que foi agredida física e moralmente por alunos, além de sofrer ameaças de morte e arrombamento de sua residência. De acordo com dados da Unesco, 47% dos professores já sofreram agressões verbais vindas de alunos. Uso de drogas, furto e porte de arma são outras práticas muito comum no interior dos colégios, além da existência de gangs formadas por condenados da Justiça, e que hoje cumprem pena em liberdade. Nesse meio de tensão torna-se tarefa árdua manter a ordem e ensinar.
A situação do ensino, na verdade atual, tende a refletir relações sociais deterioradas fora da escola. Os altos índices de violência no Brasil tornam ainda mais difícil, por vezes impossível, a tarefa de ensinar. Em pesquisa da Unesco, 20% dos alunos brasileiros de escolas públicas acusam a presença de gangues em seu colégio e 10%, de tráfico de drogas. Como conta o Professor Marcelo Rolim que chegou em uma escola estadual em Acari, no subúrbio carioca, “cheguei sonhando em aplicar Piaget, mas logo entendi que, antes, precisava humanizar alunos vindos de ruas e lares dominados pela brutalidade”.
E aqui vale a pergunta: O que precisa modificar no Brasil para a sua vida melhorar de verdade? Acreditamos que dentre as respostas está o aumento da sua capacidade de crescer de forma sustentável, através das mudanças sociais do governo. Pois se investe muito pouco em saúde, educação e infraestrutura, a educação pública está ruim, e a disseminação de escolas e faculdades privadas, sem uma estrutura de base, está se tornando um verdadeiro caos na qualidade do ensino brasileiro.
Há necessidade de uma proposta para melhorar a educação, pois se os método das aulas expositivas não está estimulando o raciocínio dos alunos, não está despertando o seu interesse, que estão voltados para uma cultura digital, essas informações devem chegar ao conhecimento das autoridades para se buscar soluções. Se o problema está nas péssimas instalações físicas, tamanho das classes, nível de formação dos professores, falta de estímulo profissional, quantidade de alunos por turma, tudo isso deve ser avaliado através de geração de metas concretas.
Se houver interesse em melhorar a educação, deve se estabelecer critérios. Avaliando-se cada item que compõem sua engrenagem. E os pais devem participar ativamente da vida escolar, o que contribui para o avanço dos filhos e também para o bom ambiente no colégio, pois um bom ambiente de estudo tem mais peso do que todos os demais fatores somados, o que chama a atenção para a necessidade de investir nessa direção. Tornar mais harmoniosas as relações na escola, portanto, não é relevante apenas para reduzir o stress dos professores e a desmotivação dos alunos, é antes de tudo, decisivo para fazer a educação avançar.
A criminalidade diária nas escolas é uma realidade, ultrapassou os limites dos conflitos inerentes à relação professor-aluno, são ameaças, agressões e disputas de alunos dentro do ambiente estudantil, contra professores e colegas, já tendo havido casos de professores que deixaram o magistério em razão das ameaças de morte pelas gangs, e outros que permanecem afastados por conta dos problemas psiquiátricos criados em razão da violência dos alunos.
Vários sindicatos hoje farão manifestações em todo o país, buscando chamar a atenção de todos sobre a precariedade do ensino público em cada uma de suas unidades da federação. Para o dirigente do Udemo (Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo), “A educação está nua". A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo). "Não há o que comemorar mas é preciso aplaudir o professor que se mantém firme na sala de aula, mesmo em condições precárias, com salários vergonhosos", ressaltou Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp. Ela lembra, ainda, da precariedade da estrutura das escolas, da falta de segurança e de estímulo do servidor.
"Cerca de 70% estão com plano de carreira desatualizado, ganhando R$ 900", declarou Paulo Neves, diretor da Apeoesp.”
Porém, em meio a tantas adversidades, a vocação de ensinar continua sendo nobre, pois na matemática da vida dividir é sempre a melhor solução, dividir conhecimento, experiências, mesmo em meio às críticas, o cansaço, o desgaste, as noites mal dormidas. Enfim, ser professor é uma aventura maravilhosa de ensinar e aprender… que se invista na educação do Brasil, que se valorize o educador brasileiro!