Arquivo da Categoria ‘Pintura’

Tarsila do Amaral - autora do radical movimento antropofágico na identidade cultural brasileira.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Abaporu Abaporu (1928)

Tarsila do Amaral nasceu em 1º de setembro de 1886 na Fazenda São Bernardo, município de Capivari, interior do Estado de São Paulo.

Tarsila Estudou no Colégio Sion, e completou seus Estudos em Barcelona, na Espanha, tendo pintado o seu 1º quadro aos 16 anos de idade denominado "Sagrado Coração de Jesus". Em 1906 Casa-se com André Teixeira Pinto com quem teve sua única filha, Dulce. Separa-se de André e começa a estudar escultura com Zadig e Mantovani em São Paulo, em 1916.

Em 1920 embarca para a Europa com o objetivo de Ingressar na "Académie Julian", em Paris, onde frequentou também o ateliê de "Émile Renard".

Mesmo tornando-se figura marcante no movimento modernista, Tarsila não participou da Semana de Arte Moderna. Nessa época, estava em Paris estudando na Académie Julien. Entrou em contato com o grupo modernista só quando retornou a São Paulo, no final de 1922.

Em 1922 participou em Paris do Salão dos Artistas Franceses, tendo uma tela sua admitida no Salão Oficial dos Artistas Franceses. Nesse mesmo ano regressa ao Brasil e se integra com os intelectuais do grupo modernista e faz parte do "grupo dos cinco" juntamente com Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Anita Malfatti. Nessa época começa seu namoro com o escritor Oswald de Andrade.

Em 1923 Tarsila volta à Europa e começa a ter contato com os modernistas: Albert Gleizes, Fernand Léger e Blaise Cendrars. No ano de 1924. Volta ao Brasil e percorre as cidades históricas mineiras em companhia do escritor francês Blaise Cendrars. Deslumbrada com a decoração popular das casas dessas cidades, assimilou a tradição barroca brasileira às recém-adquiridas teorias e práticas cubistas e criou uma pintura que foi denominada Pau-Brasil. Essa pintura inspirou um movimento, variante brasileira do cubismo, e influenciou Portinari.

Foi também em 1924 que Tarsila se casa com Oswald de Andrade, vindo a se separar em 1930.

Em 1926 Tarsila expôs na galeria Percier em Paris. Iniciou-se então sua fase antropofágica, de retorno ao primitivo, da qual o exemplo mais notável é o quadro "Abaporu". Presente na I e II Bienais de São Paulo, foi premiada na primeira. Na Bienal de São Paulo de 1963, sala especial foi dedicada à retrospectiva de sua obra. Foram apresentadas suas diversas fases e deu-se destaque ao quadro "Operários" (1933), da fase social, em que as cores são mais sombrias mais a nitidez anterior é conservada. Outra obra do mesmo período é "Segunda classe".

Em 1934 ela passa a viver com o escritor Luís Martins, com quem manteve uma união de quase vinte anos. De 1936 a 1952, trabalha como colunista nos "Diários Associados".

Tarsila esteve ainda representada na mostra Arte Moderna no Brasil (1957), na XXXII Bienal de Veneza (1964) e na mostra Arte da América Latina desde a Independência (1966). Em 1960 o Museu de Arte Moderna de São Paulo organizou retrospectiva de sua obra. Entre suas demais telas destacam-se "A negra", no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, e "São Paulo", na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Tarsila morreu em São Paulo SP em 17 de janeiro de 1973.

Tarsila do Amaral possui um belo Acervo de Obras que estão divididos em vários museus de todo o mundo dentre as suas Obras as mais importantes foram:

"Pau-Brasil", que foi iniciada em 1924, uma importante obra dotada de cores e temas acentuadamente brasileiros.

Em 1928 Pinta a Obra mais Conhecida de Tarsila que é o "Abaporu", que foi criada por Tarsila para dar de presente de aniversário a Oswald que se empolga com a Tela e cria o movimento "Antropofágico".

A obra “Abaporu” (do tupi-guarani aba e poru, "homem que come) é um quadro em pincel sobre tela. Hoje é a tela brasileira mais valorizada no mundo, tendo alcançado o valor de US$ 1,5 milhão, pago pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em 1995. Encontra-se exposta no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA).

A obra “Abaporu”, compõe-se de um homem, o Sol e um cacto - inspirou Oswald de Andrade a escrever e criar o Manifesto Antropófago, com a intenção de "deglutir" a cultura européia e transformá-la em algo bem brasileiro

Em 1933 pinta o quadro "Operários" e dá início à pintura social no Brasil. No ano seguinte participa do I Salão Paulista de Belas Artes.

Nos anos 50 volta ao tema "Pau brasil". Participa em 1951 da I Bienal de São Paulo. Em 1963 tem sala especial na VII Bienal de São Paulo e no ano seguinte participação especial na XXXII Bienal de Veneza.

Mais Tarsila deixou muitas obras importantes como: Antropofagia, Urutu, Lago, Sol Poente, entre outras, que jamais serão Esquecidas.

Sua obra pode ser dividida em três fases.

Na primeira, denominada Pau-Brasil, Tarsila, influenciada pela construção geométrica de Léger, integra à sua pintura temas brasileiros e as cores caipiras das cidades barrocas mineiras, dos subúrbios das grandes cidades e do universo rural. Alguns dos quadros dessa fase: A Negra (1923), Rio de Janeiro (1923), São Paulo (1924), O Mamoeiro (1925), O Vendedor de Frutas (1925) e Palmeiras (1925) .

Com o “Abaporu” (1928), iniciou a segunda fase, a Antropofágica. Rompendo sua relação tranqüila com o mundo real e usando cores telúricas, uniu o onírico e o fantástico a temas primitivistas e nativistas, que se deformam e se confundem com o sonho. Outras obras da fase: O Ovo (1928), O Lago (1928), Boi na Floresta (1928), O Sono (1928) e Antropofagia (1929 .

O terceiro momento, o Social, é iniciado com o quadro Operários (1933), após viagem à União Soviética. Tarsila participou de coletivas no exterior e das primeiras Bienais de São Paulo (1951 e 1953), merecendo uma sala especial em 1963. Em 1964, apresentou-se na 32ª Bienal de Veneza.

Tarsila do Amaral faleceu em São Paulo no dia 17 de Janeiro de 1973.

“Em 1998, em homenagem ao 70º aniversário da criação do movimento antropófago, 24ª Bienal – a maior mostra de artes plásticas do hemisfério sul-, tendo por tema a antropofagia, procurou reunir artistas do mundo inteiro que, de alguma forma, devoraram outros no sentido pretendido por Oswald de Andrade.

O professor Nicolau Sevcenko, a propósito da mostra, comenta o projeto de Tarsila e Oswald:

Nos anos 20 o foco do debate artístico passa a ser centrado nos surrealistas. O que eles propõem é um mergulho nas profundezas do imaginário para, de um lado, reencontrar a espontaneidade dos instintos, de outro, expor o conteúdo autoritário, repressivo e castrador da cultura européia (…)

O símbolo da entropofagia era crucial nesta operação. Tratava-se de afinal de um ato visceral: matar a cultura dominante, esquartejá-la e retirar dos seus interstícios a matéria palpitante e alumbrada, de que ela se nutriu e incorporou. Depois, redigerir essa matéria e trazer de volta à vida o que havia sido explorado, consumido e anulado. (literatura Brasileira – William R. Cereja e Thereza . Magalhães, Ed. Atual).

A obra “Abaporu” é o cartão de visita do Museu de Arte Latino-Americano de Bueno Aires (MALBA), sendo a obra mais concorrida pelos visitantes, colecionadores,  marchand, e apreciadores do gênero, ao lado de nomes ilustres como Di Cavalcanti, Cândido Portinari e outros.Um verdadeiro orgulho do povo brasileiro e dos portenhos.

Rita de Cássia Andrade

Di Cavalcanti – O idealista do modernismo cultural

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mulata com Gato - óleo sobre tela - 125,5 x 152,5 cm. - 1966

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti, nasceu no Rio de Janeiro,em 6 de setembro de 1897.

Fez sua estréia como desenhista no salão dos Humoristas em 1916. Após se mudar para São Paulo em 1917, conviveu com Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Brecheret. Frequentou também o ateliê do pintor impressionista alemão George Elpons, um alemão de influências impressionistas.

Di Cavalcanti foi pintor, caricaturista, escritor, poeta, designer de jóias, também um intelectual bem informado sobre as vanguardas artísticas de seu tempo. Em 1921, foi convidado a ilustrar o livro "Balada do Cárcere de Reading", de Oscar Wilde, um dos mais renomados escritores da época. Neste mesmo ano se casa com Maria, sua prima de segundo grau.

Di Cavalcanti foi o idealizador da Semana de Arte Moderna, que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo em 1922. Participou de sua organização, fez os catálogos e programas e expôs doze pinturas. Era uma época de muitas novidades, como o carro, a fotografia e o cinema mudo. Então a vida das pessoas estava mudando muito rápido, mas a poesia e a pintura continuavam a seguir as antigas regras, em sua maioria francesas. A semana da arte moderna foi uma espécie de festival em que modernistas brasileiros mostraram seus trabalhos.

Em seguida, em 1923, viajou para a Europa para estudar e lá conheceu e conviveu com grandes mestres da pintura, como Picasso, Braque, Matisse e Léger. Di Cavalcanti também teve influências de Paul Gauguin, de Delacroix e dos muralistas mexicanos. O contato que teve com o cubismo de Picasso, o expressionismo e outras correntes artísticas de vanguarda, contribuiu para aumentar sua disposição em quebrar paradigmas e inovar em sua arte, sem perder de vista uma estética que abordava a sensualidade tropical.

Na volta ao Brasil, em 1925, retratou temas nacionais e populares, como favelas, operários, soldados, marinheiros e festas populares. Também ficou conhecido por seus belos retratos de negras, fase em que consagrou a modelo e atriz Marina Montini, musa da década.

Em 1926 filiou-se ao Partido Comunista e a partir de então, as temáticas sociais e nacionais tornaram-se presentes em suas obras. Pintou em 1929 para o Teatro João Caetano "Samba e Carnaval", considerados os primeiros painéis modernistas da América Latina.

Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, Di Cavalcanti é preso pela primeira vez. Após ser libertado, se casa com Noêmia Mourão, sua segunda esposa. Retornou a Paris em 1937, onde viveu até 1940, nesse período recebeu prêmios importantes – como “Medalha de Ouro” com a decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica, em Paris.

- Em 1940, retorna ao Brasil, fixando residência em São Paulo.
- Em 1941, ilustra o livro Uma noite na taverna / Macário, de
Álvares de Azevedo.
- Em
1950 projetou o mosaico da fachada do Teatro Cultura Artística, a maior obra do artista, com 48 metros de largura por 8 metros de altura.
- Em 1953, recebe o título de "Melhor Pintor Brasileiro" na II Bienal de São Paulo junto com
Volpi.

1954 – Retrospectiva da sua obra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro 1955 – Publica Viagem de minha vida, livro de memórias.

1956 – Recebe primeiro prêmio na Mostra de Arte Sacra, na Itália.

1960 – Recebe medalha de ouro por sua participação com sala especial na II Bienal Interamericana, no México.

1963 – Homenageado com sala especial na VII Bienal de São Paulo.

1964 – Exposição comemorativa dos seus 40 anos de artista, na Galeria Relevo, RJ. - Publica o livro Reminiscências líricas de um perfeito carioca.

Ainda na década de 60 ganha Sala Especial na Bienal Interamericana do México, recebendo Medalha de Ouro. Torna-se artista exclusivo da Petite Galerie, Rio de Janeiro. Viaja a Paris e Moscou. Participa da Exposição de Maio, em Paris, com a tela Tempestade. Recebe indicação do presidente João Goulart para ser adido cultural na França, embarca para Paris e não assume por causa do golpe de 1964. Vive em Paris com Ivette Bahia Rocha, apelidada de Divina. Desenha jóias para Lucien Joaillier.

Em 1966 seus trabalhos desaparecidos no início da década de 40 são localizados nos porões da Embaixada brasileira. Candidata-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas não se elege. Seu cinquentenário artístico é comemorado.

Em 1971 o Museu de Arte Moderna de São Paulo organiza retrospectiva de sua obra e recebe prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Comemora seus 75 anos no Rio de Janeiro, em seu apartamento do Catete. A Universidade Federal da Bahia outorga-lhe o título de Doutor Honoris Causa. Faz exposição de obras recentes na Bolsa de Arte e sua pintura Cinco Moças de Guaratinguetá é reproduzido em selo.

Di Cavalcanti sempre soube estar no caminho certo esteticamente e suas viagens a Paris só reforçaram as suas certezas. Entretanto, o ambiente do pintor não era o dos bulevares de Paris: Di Cavalcanti estava impregnado dos trópicos, de uma atmosfera sensual e quente.

À sua ousadia estética e perícia técnica, marcada pela definição dos volumes, pela riqueza das cores, pela luminosidade, vem somar-se a exploração de temas ligados ao seu cotidiano, que ele percebia com vitalidade e entusiasmo.

Sensualidade, arte barroca, erotismo, religiosidade, mulheres, cubismo, festas populares, samba e carnaval, burguesia, pescadores, natureza morta, folclore, flores, mar, impressionismo, paisagens, maternidade, caricaturas, charges, portraits, painéis, murais, cenários e ilustrações, tudo isso era a sua inclinação.

O Brasil das telas de Di Cavalcanti é carregado de lirismo, revelando símbolos de uma brasilidade personificada em mulatas que observam a vida passar, moças sensuais e foliões. A sensualidade é imanente à obra do pintor, assim como o carnaval e as festas, como se o cotidiano fosse um permanente deleitar-se. A originalidade de uma cultura constituída por um caldo de referências indígenas, européias e africanas, de forma contraditória e única, transparece em suas telas através de uma luminosidade ímpar.

Marcada pela evolução constante em direção a uma técnica cada vez mais acurada, a obra de Di Cavalcanti pode ser situada numa tradição interpretativa do Brasil tropical. Hoje, o pintor é um dos mais populares artistas brasileiros, alcançando enorme prestígio também no exterior: suas obras são disputadíssimas nos leilões internacionais, imprescindíveis a todas as coleções e exposições latino-americanas. A pintura de Di Cavalcanti representa toda uma imagem do país no mundo afora, ressaltando a sua exuberância natural e humana: é indiscutivelmente figura chave da arte brasileira. Todo o seu entendimento tem passagem obrigatória por Di Cavalcanti.

Como escritor, jornalista e poeta publicou "Viagem da Minha Vida" e "Reminiscências Líricas de um Perfeito Carioca". Crônicas sobre suas vivências correram mundo. Como pintor, recebeu, ainda, o 1º Prêmio na Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste, pelo quadro "Crucificação" adquirido pelo Instituto de Arte Litúrgica de Roma, Medalha de Ouro na II Bienal Interamericana do México e Prêmio Crítica de Arte em 1971, por ocasião da Retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Suas obras espalham-se em Museus e coleções particulares por toda América Latina, Estados Unidos e Europa, destacando-se os quadros "Família" que se encontra no Museu de Arte de Montevidéu, "Scene Brésilienne" Museu de Arte Moderna de Paris, "Via Sacra" Catedral de Brasília, "Cinco Moças de Guaratinguetá" Museu de Arte de São Paulo, "Ciganos" e o tríptico "Navio Negreiro" no Museu Nacional de Belas Artes e "seu Ateliê e Obra Inacabada" permanecem no Museu de Arte Moderna de São Paulo, doados após sua morte.

Di Cavalcanti galgou o mundo, expondo em Paris, Bélgica, Amsterdam, Roma, Nova York, Buenos Aires, Montevidéu e México. Conquistou medalha de ouro através do quadro "Mulata Desnuda", tema preferido por seus admiradores. Executou vários painéis, publicou álbuns com gravuras e serigrafias, ilustrou livros, e bilhetes de loteria, escreveu crônicas e comentários para jornais e revistas. Participou dos I, II (prêmio de Melhor Pintor Nacional) e VII Bienais de São Paulo, da XXVIII Bienal de Veneza, além de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Morreu em 1976, no Rio de Janeiro, em sua cidade natal.

Di Cavalcanti foi um expoente das artes plásticas brasileira, um artista completo e de muitas habilidades. Um idealista, autodidata, uma referência importantíssima para todo o grupo modernista e, desde então, para a história das artes plásticas no Brasil, aquele que se tornaria “glória nacional”, pela sua inteligência e diversidade de talentos. Pois na visão do autor “Criar é acima de tudo dar substância ideal ao que existe”.

Pedro Américo o intérprete do Nacionalismo Romântico Brasileiro

quinta-feira, 9 de julho de 2009

obra: Independência ou Morte, mais conhecido com O Grito do Ipiranga de 1888.

Pedro Américo F. de Mello, nasceu na cidade de Areia no Estado da Paraíba, e desde tenra idade foi estimulado para o mundo das artes pela sua família, pois seu pai era violinista e lhe orientou para a vocação das artes, especialmente a música e a pintura, lhe apresentando a biografia de célebres pintores, e livros que iriam iniciar o se preparo intelectual.

Em 1854, com 11 anos, foi estudar no Rio de Janeiro, no Colégio Pedro II. No ano seguinte ingressou Academia Imperial de Belas Artes, onde teve um desempenho notável, conquistando medalhas e prêmios, e mesmo antes de terminar o curso, foi reconhecido pelo Imperador Dom Pedro II, que lhe concedeu uma bolsa para ir concluir seus estudos na Europa. Nessa rápida passagem inicial pela Academia, o estudante ganhou muitos troféus e quinze medalhas de ouro e prata, e diversos diplomas de aprovações com louvor.

Em fins de 1859, seguiu para a Europa, onde se demorou até 1864, tendo freqüentado a Academia de Belas Artes de París, o Instituto de Física de Ganot e a Universidade de Sorbonne, onde foi discípulo de Ingres, Léon Coignet, Flandrin e Horace Vernet.

Chegando em 1864 ao Rio de Janeiro, inscreveu-se logo para concorrer a cadeira de desenho, que lhe foi concedida no meio de um concerto de louvores do corpo docente acadêmico, do público, e de seus próprios concorrentes. A sua tela - Sócrates afastando Alcebíades dos braços do vício - atesta a legitimidade desse triunfo.

E aqui vale registrar, uma curiosa e rara ocorrência motivada por esse concurso, diz Luís Guimarães: O mais distinto dos pretendentes à disputada cadeira, o Sr. Le Chevrel, vendo o quadro de Pedro Américo, declarou-se imediatamente vencido, e disse aos juízes e examinadores que a escolha devia unicamente recair sobre o autor da “Carioca." Recebeu elogios mesmo dos outros competidores. Nesta fase são também produziu as obras Petrus ad Vincula, na Igreja de São Pedro no Rio, e fez alguns ajuste na tela A Carioca”.

Retornando à Europa, e, durante sua nova estada nos centros europeus, produziu o São Marcos, a Visão de São Paulo e a Cabeça de São Jerônimo, além de outros quadros. Defendeu teses em Bruxelas, no grau de doutor em Ciências Naturais, depois de ter sido aprovado com grande distinção em exame público que durou cinco horas. A solene cerimônia, que se realizou na presença do Cônsul do Brasil, foi narrada pelo Diário Oficial, o Independência Belga, o Eco do Parlamento e outros jornais, em termos honrosos, para o laureado paraibano, cujo primeiro pensamento, depois da vitória, foi regressar ao Brasil, onde iria exercer o seu magistério na Academia de Belas Artes.

Voltando ao Brasil, promoveu grandes realizações, como as telas Batalha do Campo Grande, Ataque da Ilha do Carvalho, o Passo da Pátria e diversos retratos, incluindo dos imperadores Pedro I e Pedro II e do Duque de Caxias, a Ondina, e tantas outras telas.

A 19 de agosto de 1872, o então ministro do Império, conselheiro João Alfredo, contratou o artista para a execução de um grande quadro alusivo a qualquer dos grandes feitos de nossa história. Pintando o esboço da Batalha do Avaí, cujo quadro definitivo só pôde ser concluído em 1877, em Florença, Itália, onde foi exposto. Ao mesmo tempo em que trabalhava no seu grande quadro, pintou o episódio do Passo da Pátria. A Batalha do Avaí, diz o seu biógrafo, é incontestavelmente uma obra prima do mestre brasileiro; e, no conceito universal, uma das mais notáveis da arte moderna.

A Batalha do Avaí, antes mesmo de ser concluída, foi vista pelos mais ilustres artistas e publicistas de quase todo o mundo, reunidos em Florença, em 1875, durante as festas comemorativas do centenário de Michelangelo, os quais espalharam por toda a Europa a fama de Pedro Américo, que eles também tinham ouvido discursar em duas línguas estrangeiras, diante do Mausoléu e do Davi do grande florentino.

O governo italiano ratificou a genialidade do artista brasileiro, mandando colocar na sala dos pintores célebres da "Galleria Nazzionale degli Uffizzi" o retrato de Pedro Américo, exigindo que fosse feito por ele próprio. Por uma feliz coincidência, coube-lhe ficar colocado entre os de Ingres e Flandrin, seus antigos mestres em Paris. O ministro da Instrução Pública da Itália, que por muitas vezes solicitara a remessa desse retrato, ao agradecer por ofício, acrescentou que lhe era grato erigir-lhe aquele primeiro monumento.

Voltando a Florença, continuou a trabalhar incessantemente, sendo numerosa a lista dos quadros que fez de 1878 a 1882. Sendo os mais importantes: A Batalha de San-Martino, Menina espanhola de 1600, Os filhos de Eduardo 4º de Inglaterra, D. Inês de Castro, Judite e a cabeça de Holofernes, D. Catarina de Ataíde, D. João 4º Infante, A noite acompanhada dos gênios do amor e do estudo, Joana D’Arc, Menina pintora, Jocabed levando ao Nilo seu filho Moisés, O voto de Heloisa, Moema, etc. Para a grande exposição de 1884, mandou muitos desses quadros. Em princípios de 1885, seguiu para a França e, depois de algum tempo, chegou ao Brasil.

Em fins desse mesmo ano de 1884, foi à cidade de São Paulo, com o intento de pintar uma tela comemorativa da Proclamação da Independência. A 14 de janeiro de 1886 firmava o contrato com o Governo do Estado para executar o trabalho dentro de três anos.

   Voltou à Itália e, no curto espaço de um ano, levou ao fim a execução do trabalho. Veio ao Brasil fazer a entrega do quadro, a que denominou de Proclamação da Independência, depois de tê-lo exposto em Florença, em 8 de abril de 1888. A 14 de julho desse mesmo ano, foi a tela entregue ao Estado de São Paulo.

   No começo de 1889, voltou à Europa, onde continuou a pintar vários trabalhos, entre os quais, Voltaire abençoando o neto de Franklin, em nome de Deus e da Liberdade, quadro que o artista veio pessoalmente, em 1890, oferecer ao governo de seu país.

Entre 1885 e 1893 deslocou-se diversas vezes entre Europa e Brasil, neste meio tempo foi eleito, em 1890, deputado junto ao Congresso Constituinte por Pernambuco.Neste novo momento politico produziu obras emblemáticas como o Tiradentes esquartejado, além de Honra e Pátria e Paz e Concórdia, seu último trabalho.

  Pedro Américo foi um pintor de batalhas, retratista, pintor decorativo, histórico profano, bíblico. Conseguiu realçar o seu gênio nas cenas bíblicas, na interpretação dos fatos históricos, e nas disposições dos grandes feitos bélicos, destacando-se em todos os gêneros. Num, porém, firmou as suas extraordinárias qualidades de artista. Que foi o gênero bíblico. E isso ele mesmo sentia e chegou a manifestar, quando em 1864, escrevendo a Vítor Meireles, assim se exprimiu.   "Minha natureza é outra. Não creio dobrar-me com facilidade às exigências passageiras dos costumes de cada época, que também são uma das fontes em que um talento como o seu pode achar pérolas. A minha paixão, só a história sagrada a sacia."

Não foi apenas um pintor célebre. Foi também cultor de filosofia, homem de ciência, orador, poeta e romancista. Em tudo, soube manifestar a superioridade do seu talento privilegiado.

Pedro Américo em vida recebeu as honrarias de Cavaleiro da Coroa da Alemanha e de Grão Cavaleiro da Ordem Romana do Santo Sepulcro.

É patrono da cadeira número 24 da Academia Paraibana de Letras, que tem como fundador Horácio de Almeida.

Além de pintor, foi historiador, filósofo e escritor, deixando cerca de 15 trabalhos literários de História, Filosofia Natural e Belas Artes, e poesias e romances. Pedro Américo privilegiava temas históricos e personificações alegóricas em abordagens idealistas, mas quando sua carreira realmente tomou alento o estilo geral já havia evoluído para o Romantismo, tendência que ele rapidamente pôde acompanhar e onde deixou sua melhor produção.

Foi um artista inovador, mas às vezes era incompreendido, tendo como exemplo a obra A carioca, que foi oferecida ao Imperador mas foi recusada por ser considerada libidinosa, causando escândalo quando foi exposta ao público em 1865.

Faleceu em Florença, em 07 de outubro de 1905, vítima da beribéri, doença que o perturbava desde a infância, praticamente cego e pobre, sendo o seu corpo transladado para o Rio de Janeiro, onde foi provisoriamente sepultado. Depois o Governo do Estado da paraíba, pediu a entrega do corpo do seu filho ilustre para ser enterrado definitivamente em sua cidade natal de Areia, onde foi erguido um monumento em sua homanagem.

Seus quadros mais conhecidos são: A Batalha do Avaí , a Batalha do Campo Grande; A fala do Trono; Independência ou Morte; Paz e Concórdia; Tiradentes esquartejado, dentre outras.

Na cidade de Areia na Paraíba, existe o museu Pedro Américo, o qual funciona na antiga casa pertencente a sua família, local de grande visitação pública, pela história, pela obra e pela marca do gênio nacionalista.

Portinari – o pintor de quase 5000 obras

quarta-feira, 24 de junho de 2009

obra: Café (1935) 

Cândido Portinari  foi um dos pintores mais famosos  do nosso país, destacando-se também nas  áreas  da poesia e da política. Nasceu em 29 de desembro de 1903, na fazenda de café Santa Rosa, em   Brodowski,  no interior de São Paulo. Descendente de uma família de imigrantes italianos, retrata em suas telas  o povo brasileiro, superando sua formação acadêmica e  fundindo a  ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista   moderna.  A sua obra tinha como fio condutor a temática social, pintando os trabalhadores de forma digna e exuberante,  ao mesmo tempo o povo dolorido das regiões pobres do país,  obrigadas  a deixar suas origens, fugindo das calamiaddes naturais, numa tentativa de sobrevivência mais digna e humana.

Seu primeiro reconhecimento no exterior foi  com uma tela de grandes proporções  intitulada CAFE,  de 1935, que lhe rendeu o prêmio na Exposição Internacionmal de Pintura do Instituto Carnegie, de Pittsburgh ( EUA), a qual se  encontra hoje no Museu de Belas Artes  no Rio de Janeiro.

Em 1944, a convite de Oscar Niemayer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, destacando o mural São Francisco e a Via Crucis, na igreja de São Francisco. Como era comunista, e isso era sinônimo de perseguição, na época, o arcebispo de Belo Horizonte negou-se a consagrar a igreja de São Francisco,  na Pampulha em Belo Horizonte (MG),  por conta dos murais de Portinari que estão abrigados em seu interior.

Portinari pintou tanto que chegou a ficar com uma dose muito elevada de chumbo no organismo, o que lhe motivou  a abandonar  a pintura a óleo ou similares,  por algum tempo.  Aos poucos retornou a pintura mesmo a contragosto dos médicos, iniciando  a tela Guerra e Paz que está na sede da ONU, nos Estados Unidos,  e que levou quatro anos para ser concluída por conta de uma forte  crise de envenamento no decorrer do feito .  Em 1962, a Prefeitura de Milão, na Italia, chamou o pintor de Brodowski para uma exposição de 200 obras. Sendo que o trabalho em demasia com as tintas para este evento, um novo envenamento lhe acometu, vindo a falecer na manhã de 6 de fereveriro de 1962.

Dentre as  obras de Portinari  podemos citar: Morro, O  Mestiço, Os Retirantes, O Enterro na Rede, O Lavrador de Café,  CAFÉ, O Painel  Tiradentes, enfim, um acervo imensurável  de obras retratando  a forte presença social de nossa terra e nossa gente, mas  sem deixar de lado a questão formal de suas construções.

O que Portinari criou é sua vida. A pintura. Ou como melhor dissera Carlos Drumond de Andarde, sem fim: a  verdadeira.